FOOM > A entrevista…

27 06 2008

Eu sempre criei histórias na minha mente, mas sempre foi um problema botá-las no papel. Tentei com algumas, mas apesar de saber o final eu simplesmente nunca consegui escrevê-las. Lembro que logo que contei a alguns amigos sobre o livro, que desta vez estou determinada escrever – e se me permitirem sonhar, publicá-lo não seria nada mal – alguém me perguntou como era esse processo de criação. E eu, aqui sentada na minha cadeira, pesando sobre o assunto, me senti como aqueles jornalistas de filmes antigos me fazendo aquelas perguntas básicas que nenhum escritor pensa (eu acho) quando vai escrever.

Mas antes de passar para as perguntas deixem-me contar como isso tudo começou. O fato é que eu não lembro como tudo começou, sempre fui péssima com datas, mas eu lembro de mim mesma, talvez no 1° ano do ensino médio, escrevendo a minha primeira história de verdade. Não que eu já não tivesse criado muitas outras, mas esta em especial me marcou, pois foi a primeira que consegui botar no papel, exceto pelo final. Eu lembro que ela já estava pronta quando resolvi escrevê-la, na época já estava na criação de outra estória quando de repente me bateu um estalo, click, e eu disse: eu vou botar no papel a minha história. E não sei por que aquela história tinha sido a escolhida, acho que ela já nasceu para ir além da minha mente.

Antes de falar dessa história vale ressaltar que ela era um melodrama. Mas pense comigo, o que uma adolescente boba e ingênua escreveria se não um melodrama. Acredite, naquela época eu ainda era boba e ingênua. Sempre gostei de romances e a minha vida sempre foi um romance, sempre com muito drama, por favor. Como um conto de fadas. Era a história de Safira, uma princesa egípcia. Mas não nos delonguemos nas possíveis milhões de explanações que sou capaz de fazer dessa história. Pra começo de carreira conversa ela foi suficiente.

Aí vêm as perguntas, e como você faz pra criar uma história? Em que se baseia? Simples, primeiro você dá uma vasculhada na sua mente procurando coisas interessantes, como se estivesse num sótão procurando fotografias antigas. Até que você encontra aquela que lhe chama muita atenção e você diz: É essa! Então você olha a foto, seus detalhes, suas características, analisa o ambiente e percebe que não conhece aquela pessoa da foto. Você simplesmente sorri e parte para a aventura. Na maioria das vezes tento procurar fotos diferentes umas das outras. Procuro lugares diferentes com temas diferentes (okei, não tão diferente assim, eu confesso), e pessoas diferentes. Há quem diga que você cria o personagem, mas eu não! Eu vou ao sótão e pego uma foto, eu não criei e nem tirei a foto ela já estava lá. Eu apenas vou descobrindo coisas que já existiam sobre aquela foto, como o clima do lugar, o humor da pessoa na foto, como ela gosta dos seus ovos (mexidos, inteiros, pouco sal..). Enfim, cada nova foto é uma nova aventura, são novas descobertas.

Talvez eu nunca seja uma boa escritora de novelas para a televisão, pois o destino e ações dos personagens muitas vezes são decididos pelo público e os meus personagens não são marionetes, ele fazem o que têm que fazer independente se vai ficar bonito ou não. Eles são pessoas como eu e você e que simplesmente seguem seus instintos. A única diferença é que os meus personagens vivem apenas em um mundo diferente do nosso, que dizer diferente do seu. Elas vivem no meu mundo, na minha mente. Por enquanto.

É engraçado que toda vez que termino uma história fica aquela dúvida: Será que vou ser capaz de criar outra depois dessa? E uns dias depois (às vezes bem mais) lá estou eu a criar sem ao menos perceber. O final de uma história é interessante, pois pra mim não dá pra saber exatamente quando ele ocorrerá, dá apenas pra senti-lo chegando. Muitas vezes eu fui além do que devia, ultrapassei o fim, mas toda vida tem o seu curso exato, querendo ou não. O que acontece nesses casos perguntaria você, já investido no personagem do repórter, e eu te responderia que esse tempo extra são como momento da nossa vida que agente simplesmente esquece e finge que nunca aconteceu, pois ao passar daquele limite a felicidade perde o seu sentido.

A minha segunda tentativa de escrever uma história foi com outro melodrama, talvez no mesmo ano. Pra falar a verdade não me lembro quem veio antes de quem. E se tratava da história de um garoto que queria entender o que era o amor. Mas, assim como pessoas se destacam na vida real, quem se destacou nessa história foi a menina com que ele descobriu o que era o amor. Quem lê a essa história talvez diga que eu perdi o rumo, o foco inicial. Mas como já disse não sou eu que faço a vida dos personagens, eu apenas materializo. Desta forma, como às vezes na nossa vida nos perdemos o rumo, também acontecem com as pessoas na minha cabeça.

Nessa parte da entrevista eu chamaria o repórter ao canto e diria: Quer ouvir uma coisa engraçada? Nunca gostei de papel e caneta. O jovem repórter me olharia esquisito, como se não tivesse entendido a piada. Então,com um leve sorriso no rosto eu explicaria que há uma linha entre criar e escrever. Criar é a parte mágica do serviço e escrever é o trabalho pesado, como sou muito magrinha não agüento trabalhos muito pesados, é esse o motivo pelo qual nunca escrevi as minhas histórias. Até hoje.

Se você está aqui deve saber que o quanto gosto de blogs, internet e todas essas tranqueiras da era digital, e assim resolvi unir o útil ao agradável. Percebi que digitar dissipava a imagem trabalhosa da parte de escrever e nem queira entender o porquê, afinal tudo depende de como você vê as coisas.

Por fim, basta só aguardarem o meu livro ficar pronto e torcerem para eu estar com bom humor de publicá-lo aqui.
FIM
P.s.: Agora é a parte que eu pergunto ao repórter quanto é o meu cachê pela entrevista!
P.s.1: Na verdade só finalizei esse texto, pois já tinha 2 páginas e o repórter já estava começando a cochilar.
P.s.2: Já falei como eu fico inspirada quando escrevo a noite?

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